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REVISITAR VESPEIRA

Exposição de pintura e desenho de Marcelino Macedo Vespeira

De 11 de janeiro a 2 de fevereiro de 2019

 

Agradecimentos: Galeria Valbom, Pedro Vespeira, Manuela Vespeira de Almeida e José Lourenço Soares

 

 

Ele tomou da pintura, primeiro, o seu lado brilhante, solar, positivo e carnal. E, logo depois, uma espacialidade elástica,sideral e algo inesperada, então; crepúsculos e espumas, cores de artifício, rápidos de luz fulgindo, orquestrações soberbas,astros candentes. E no infinito ao alcance dos olhos. Depois, foi a oposição fusionada dos sexos; a dança paroxística, linear eenfática; a dança encantatória, sem disfarce, do amor. Um longo desenho, sem princípio nem fim, de perseguidor aperseguido, de perseguido a perseguidor, novelo de enlace e desenlace, a forma penetrante, aguda, a forma acolhedora,curva, pronta. Um jogo simétrico, nas suas tão naturais oposições, justaposto como o desejo recomenda. Uma poética desinais, de descoberta do prazer do corpo inventado como prazer da alma.Junto de tudo isso, o sentimento de que só a Liberdade cria. E viver assim, sem mais. A um correr do tempo, ora fazendo, oranão fazendo, com ela existindo, ou não. E, sempre, uma linha de água como horizonte. Não se vendo, é certo, colorindo,porém de infância, sabe-se, as margens quentes em que as recordações repousam e euforizam o amor à terra, às pessoas, àsestrelas; as do fundo do mar e as outras, as que cintilam sobre as águas paradas, caleidoscópios da noite.

Fernando de Azevedo – “Nove Obras (1957-89)”. inVespeira – Páteo Aldegalega – Câmara Municipal do Montijo, 1997

 


 

NORBERTO NUNES _ O CONTADOR DE HISTÓRIAS

Exposição de pintura e escultura

De 16 de novembro de 2018 a 5 de janeiro de 2019

Colaboração: MAC - Movimento Arte Contemporânea

 

 

Norberto Nunes­- O Contador de Histórias

Norberto Nunes, prestigiado Contador de Histórias na área pictórica, Mestre na capacidade de nos transportar ao âmago fascinante do nosso subconsciente e imaginário. As narrativas fluem com inusitada credibilidade, quando sustentadas nas evocações de experiências do passado, marcadas indelevelmente na memória. Resulta em momentos de reflexão genuínos, delírios, divagações recorrentes e insistentes, como construções criadas no seu fértil pensamento.

As suas obras revelam uma enorme eficácia do autor, na criação de linhas condutoras de pensamento e dinâmica de ação, utilizando uma linguagem estética singular, de cromatismos vincados, recorrendo magistralmente aos contrastes e manchas de sombra, ocasionando um êxtase materializado numa esplendorosa harmonia e exultação profunda dos sentidos.

Mestre Norberto Nunes não se limita à simples aplicação das regras morfológicas, mas conduz-nos a um patamar superior, onde as ideias fluem agilmente com uma sensibilidade e leveza inigualáveis. A sua obra adquire uma extraordinária dimensão para a consciência emocional, criando um mundo de expressão, movimento e visualidade onde as linguagens se encontram num místico prazer.

A sua pintura transporta um sentido, o do próprio movimento do pensamento, incitando à sua explosão, deixando divagar a imaginação, confirmando expressivamente, o grande talento e sobretudo a surpreendente técnica das suas realizações.

Assistimos a uma criação de uma assumida raridade, adquirindo elementos estilísticos, polarizando e atraindo a alusão antropomórfica das formas, falando-nos da dinâmica dos contextos narrativos matizados pela incidência da cor, que nos eleva e assume o papel de interlocutor entre a obra e o espectador.

Mestre Norberto Nunes é sem dúvida um artista de convicções, representando uma lufada de frescura idealista, em que cada tomada de consciência abrindo-nos o caminho para o seu mundo particular, onde cada gesto tem o sabor de uma certeza.

O Contador de Histórias que Norberto Nunes tem demonstrado ser através da sua obra, projeta-nos para uma importante plenitude artística, confirmando o grande talento e sobretudo a qualidade técnica deste artista das artes plásticas do nosso país, cujo conjunto das obras se caracteriza por uma forte coerência formal e essencial, permeada por uma poética singular, atribuindo-lhe um lugar marcante nas artes plásticas portuguesas.

 

Álvaro Lobato de Faria

Ditector Coordenador do MAC

Movimento Arte Contemporânea

Novembro de 2018

 

 


 

PARAÍSO

Exposição de escultura e gravura de Jorge Pé-Curto

De 12 de outubro a 11 de novembro de 2018

 

 

Acompanhando a família na procura de melhores condições de vida, deixei o Alentejo aos nove anos vindo a fixar-me na margem Sul, subúrbio da capital do País. Aí a forte presença de outros alentejanos e da sua cultura sempre alimentaram um sentimento nostálgico pela terra de origem.A influência da arte tocou-me muito cedo ainda em Moura cujas gentes cultivam um gosto muito forte pela sua prática que se materializa pelo grande número de artistas amadores assim como alguns nomes de relevo no nosso panorama artístico.Desta forma foi com grande simpatia e sem qualquer hesitação que aceitei o convite para expor neste espaço público de Aljustrel, uma vez que se trata de um bom pretexto para voltar ao Alentejo.A presente exposição tem antes de mais a particularidade de apresentar gravura, uma prática que não é nova no meu trabalho mas que só recentemente ganhou relevo significativo.A ligação desta técnica com a escultura faz todo o sentido, a construção da matriz exige do artista desafios semelhantes aos que encontra no domínio dos materiais, sobretudo quando se trata de chapa de ferro como é o caso destas gravuras.Esta ligação também se verifica na temática acentuando um certo pendor literário.Do conjunto apresentado é de realçar um olhar de espanto e interrogação face ao comportamento do homem enquanto ser natural mas provido de um alto grau de inteligência, condição esta que o leva a tomar consciência do eu, enquanto indivíduo, e agir fora de uma lógica enquanto espécie, tornando-se assim um elemento altamente perturbador do meio. Deste comportamento ressalta a incapacidade em aceitar a sua finitude, o que o leva a desenvolver inúmeras teorias sobre a vida além da morte, tal como a ideia de paraíso na nossa cultura judaico cristã.Este conceito continua a ter forte impacto na atualidade, quando já poucos acreditam na sua existência no céu mas muitos acreditam na sua possibilidade na terra e o procuram alcançar através do consumismo desenfreado e insaciável pondo em risco os recursos e todo o equilíbrio natural.

Jorge Pé-Curto

Outubro 2018

 

 

 


 

 

DEBRUAR COM QUATRO RAMOS OS DIAS LONGOS DA HUMANIDADE

Exposição de pintura de Mário Vitória

De 3 de agosto a 29 de setembro de 2018

 

 

Quando me convidaram para expor a minha prática artística em Aljustrel resgatei de imediato da minha memória, eventualmente do tecido inconsciente, uma acumulação de sensações antigas. Por ali andavam imagens de um Alentejo profundo, com as quais o meu trabalho dialoga espontaneamente.

Falo frequentemente sobre o abismo que o poder híper capitalista cria nos ecossistemas e como a vitória humanista sobre a esperteza exclusiva dos mercados, aquela que dá grilhetas às civilizações, pode surpreendentemente prevalecer sobre o fenómeno eufórico contemporâneo de tudo esventrar. Ao mesmo tempo, debruço-me incessantemente sobre a preservação da natureza. Sintetizando todos estes princípios, posso apresentar a máxima: Natureza- Sustentabilidade, permitindo-me identificar paralelismos com esta região. Sobretudo a partir das longas travessias que se fazem pelas suas amplas superfícies. Detonam-se então as sensações de crosta quente, trabalho penoso, fonte de vida e de alimento, mas sobretudo o sentimento estranho de poder experimentar o incomensurável que está na estranha e ilusória sensação de viver nas sucessivas linhas de horizonte que os seus lugares nos dão, um maravilhamento de biodiversidade da natureza aos olhos de um beirão talhado de xisto, geadas na serra e banhos de rio no verão.

Se os socalcos no Douro nos assustam pelo escarpado que o Homem ali deixou, de igual modo estas terras quentes são imagem do trabalho árduo, persistente e perseverante com uma expressão importantíssima para todas as restantes regiões do nosso País. Assim, pareceu-me muito clara a seleção de obras que fiz para este momento, a partir de 4 ramos distintos da minha prática artística: Circo Humano, Desenhos Intencionais, Instalações Objectos e Naturezas Assassinas. Esta diversidade de práticas, assemelham-se às camadas de uma mesma cebola. Por fim, o que observamos é uma vontade bastante simples e evidente da edificação do sonho dos que rareiam, muitas vezes com a voz silenciada. Observamos muitas outras personagens nestas representações, na maioria dos casos são extraterrestres, já que são poucos os humanos que ainda vivem na Terra. Todos eles constroem múltiplas narrativas que atraem as múltiplas faces da ética, do esforço das civilizações pela sua aplicação nas variantes do fracasso, mas também da sua vitória. O verbo transitivo  “debruar” presente no titulo, refere-se a isto mesmo, um movimento em torno da questão do âmago humano em constante viagem e mutação, ao qual juntei as palavras “ramos”, “dias longos” e “humanidade” não apelando ao lado bucólico, mas a uma sintonia mais ecológica da nossa identidade, aquela que preserva a lentidão dos tempos se necessário, aquela que respeita tudo o que a rodeia mesmo perante a correria desenfreada, ou imediatismo em que vivem as sociedades contemporâneas.

Por Aljustrel ser um concelho de referência, onde o tecido social, cultural e económico se equilibram em sintonia com a natureza, criando uma plataforma única para o Futuro mais justo acontecer, pareceu-me oportuno mostrar as variantes da denuncia, sonho, sátira e poética que vão torneando grande parte das minhas obras.

 

 

Mário Vitória

Porto, 2018

 

 

 


 

ALUNOS DA SOCIEDADE NACIONAL DE BELAS ARTES - LISBOA

Exposição de pintura

De 29 de junho a 21 de julho de 2018

 

 

Com renovado prazer, apresentamos nas Oficinas de Formação e Animação Cultural de Aljustrel, um conjunto de Obras produzidas pelos alunos do Curso de Pintura da Sociedade Nacional de Belas Artes no decorrer do ano lectivo de 2017/18.

Já se sabe que os nossos cursos primam pela qualidade de informação prestada e pelo elevado coeficiente artístico que as obras expostas demonstram.

As propostas de trabalho apresentadas bem como os diversos métodos de abordagem postos em prática, visam levar o aluno a um melhor conhecimento de si próprio e da sociedade em que está inserido.

Nas nossas aulas, o desenho de representação objectivo coincide com o desenho expressivo, senão expressionista; a aguarela tem o seu lugar, tal como o acrílico ou o óleo; o computador e alguns programas básicos são utilizados como ferramenta processual e de pesquisa.

O Mundo muda e mudará cada vez mais e mais rapidamente. Um Curso de Arte não pode deixar de ter essa realidade em consideração.

Convidamos-vos a prestar atenção às obras expostas e que. julgamos, vos irão agradar.

A exposição é constituída por: OITO obras do 1º.nível; SETE obras do 2º.nível; UMA obra do OAP; DEZANOVE obras do 3º.nível; QUATRO obras do Regime Tutorial e QUATORZE obras do Atelier Livre, num total de cinquenta e três obras.

Concluo reiterando agradecimentos ao Senhor Presidente da edilidade, ao Senhor vereador da Cultura, e ao Ricardo Marreiros, cujo entusiamo e capacidade de organização são imprescindíveis para levar a bom porto tamanha tarefa e, como sempre, em tempo recorde.

 

SNBA,Lisboa

Junho de 2018

Jaime Silva

 

 

 


 

DO REAL AO METAFÍSICO

Exposição de pintura de João Feijó

De 25 de maio a 23 de junho 2018

 

 

“ Do Real ao Metafisico” 
A exposição mostra as minhas varias fazes ao longo deste processo de evolução artística, a fase Realista foi muito importante para mim, pois todos os artistas e eu não sou exceção passamos por uma fase de copistas do que vemos, isto não quer dizer que essas obras sejam desprovidas de emoção, todas elas têm uma carga evolutiva muito importante, seja na técnica como da expressão do queremos e sentimos ao fazer tal tema mais realista.

O Metafisico, foi algo que a muitos anos já vinha sentindo que precisa de por mais de mim cá para fora, tarefa nada fácil, pois entrar num mundo pouco explicável e sem pontos visuais de referência, temos de recorrer ao sentir emocional ao silêncio interior para poder produzir estas obras.

Sem sobra de dúvida, e por muito estranho que pareça é neste estado mais introspetivo que me sinto mais fiel a minha obra, pois estas pinturas saem de mim sem eu próprio as preparar com alguma antecedência, são puros estados de incorporação criativa ligada ao não explicável que surgem os novos temas, claro que a filosofia oriental tem um cunho muito importante nesta matéria, pois sou um grande seguidor desta vertente e a que mais me identifico na vida atual.

Nesta mostra tento que o observador consiga perceber um pouco da minha trajetória artística e assim poder também compreender o meu mundo artístico e emocional.

João Feijó 2018

 

 


 

 

ARTE DE MANDALAR - ALJUSTREL - UM COLETIVO MILENAR

Exposição de mandalas de Joana Bica

De 19 de maio a 4 de agostode 2018

Cafetaria do espaço Oficinas

 

 

A exposição "Arte de Mandalar:Aljustrel - Um coletivo milenar" retrata através de Mandalastecidas a lã um coletivo com uma antiguidade histórica imensa... A intenção com que cada peçafoi tecida é direcionada a Aljustrel e a todos os seus antepassados e população ativa! Une-se aquio Céu à Terra, e cada Mandala tecida e história descrita é expressada pelo sentir e informaçãointerna. Uma analogia espiritual feita à existência deste coletivo na Terra feita por Joana Bica.

 

 

 


 

NAVACONVIDA

Artistas convidados: Umbelina Ribeiro e Carlos Pé-Leve

Exposição Comemorativa do 29º Aniversário do NAVA

Pintura, escultura, desenho, instalação

De 27 de abril a 19 de maio de 2018

Colaboração: NAVA - Núcleo de Artes Visuais de Aljustrel

 

 

 


 

ABRIL

Exposição de fotografia de Eduardo Gageiro

De 16 de março a 25 de abril de 2018

 

 

EDUARDO GAGEIRO nasceu em Sacavém a 16 de Fevereiro de 1935. Empregado de escritório na Fábrica de Loiça de Sacavém de 1947 a 1957, conviveu diariamente com pintores, escultores e operários fabris, que o influenciam na sua decisão de fazer fotojornalismo.

Com 12 anos publica no Diário de Notícias, com honras de primeira página, a sua primeira fotografia.

Começa a sua actividade de repórter fotográfico no Diário Ilustrado em 1957.

Foi fotógrafo do Diário Ilustrado, O Século Ilustrado, Eva, Almanaque, Match Magazine, editor da revista Sábado, Associated Press (Portugal), Companhia Nacional de Bailado, da Assembleia da República e da Presidência da República. Trabalhou, nomeadamente, para a Deustche Gramophone - Alemanha, Yamaha - Japão e para a Cartier. Actualmente é freelancer.

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É membro de honra do Fotokluba Riga (ex-URSS), Fotoclube Natron (ex-Jugoslávia), Osterreichisdhe Fur Photographie, O.G.Ph Viena (Áustria), Gold Year de Honra (Novi Sad, ex-Jugoslávia) e Excellence F.I.A.P. (Fédération Internationale de l’art Photographique - Berna, Suíça).

No II Congresso Internacional de Repórteres Fotográficos, realizado em S. Paulo, Brasil, em 1966, foi nomeado vice-presidente.

Mestre Fotógrafo Honorário da Associação de Fotógrafos Profissionais – 2009

Cavaleiro da Ordem de Leopoldo II - Bélgica

Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

 

 


 

 

LABORATÓRIO

Exposição de escultura dos Alunos da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa

De 16 de fevereiro a 10 de março de 2018

Colaboração: FBAL - Universidade de Lisboa

 

 

LABORATÓRIO

 

O protocolo de cooperação entre a Câmara Municipal de Aljustrel e a Faculdade de Belas-Artes de Lisboa decorre desde 2005, coordenado pelo Professor Escultor João Duarte e pela Professora Escultora Andreia Pereira. A partir de 2011, a Professora Escultora Andreia Pereira e o Professor Coordenador João Castro Silva têm orientado as actividades que decorrem do mesmo, no sentido de responsabilizar e autonomizar os alunos envolvidos nas actividades da Licenciatura e Mestrado em Escultura.  Assim, a selecção das obras e o convite aos Professores para colaboração é da inteira responsabilidade dos discentes.

As actividades e os encontros deste grupo de alunos do 2º Nível do Curso de Escultura da FBAUL, em terras de Aljustrel, dialogam na presente exposição entre si e com o público a partir de ideias e materiais ensinados e aprendidos por métodos de educação artística durante três anos, na licenciatura, mais dois anos no mestrado, em cinco unidades curriculares anuais, entre elas as de Laboratórios de Escultura de: Cerâmica, Gesso, Plásticos, Metais, Medalhística, Madeira, Pedra e de Conservação e Restauro.

Apesar de não existir um único modelo de educação artística, podemos referir várias concepções distintas. A academicista, baseada no desenho como ferramenta de representação, que visa desenvolver as habilidades manuais para conseguir uma boa representação do mundo; a expressionista, que promove o desenvolvimento da expressão individual (o seu mundo interior) e a criatividade através da arte; a dos alfabetos visuais e plásticos, que entende a arte e as representações visuais como se tratasse de uma gramática e, por fim, a educação para a compreensão da cultura visual e plástica, ligada à proliferação do visual no mundo contemporâneo como fenómeno cultural, baseada no desenvolvimento da capacidade de analisar e interpretar de forma crítica o mundo a partir das representações. Este modelo desenvolve a análise do visual e plástico, é uma proposta intelectual, mas não se ocupa da produção como tal.

Entendemos, para alem dos métodos de ensino artístico, os Laboratórios de Escultura como geradores de conhecimentos e experiências que outras disciplinas não desenvolvem.

Encontramo-nos, aqui, perante uma multiplicidade de caminhos provisórios e vivenciais, actos que perturbam a obra definitiva. Desde a tradicional Escultura Objectual à Escultura Processual, estas obras, passam pela Acção, Performance, Arte do Corpo, Instalação e Vídeo, em trabalhos nunca acabados.

Abrem para várias perspectivas de pensamento sobre o tempo presente bem como para as transformações sociais, de um modo geral, valoração subjectiva, espontânea, que implica e legitima toda uma cultura da presença como graça e do retorno ao arcaico.

A mediação artística através desta exposição promove a melhoria da inclusão, bem estar e o desenvolvimento social.

 

 

António Matos

Escultor | Professor Coordenador da Área dos Doutoramentos em Escultura / FBAUL

 

 

 


 

 

“PARA ALÉM DA REALIDADE” | 1990 - 2017 – 27 anos de Pintura

Exposição de pintura de Álvaro Assunção

De 19 de janeiro a 10 de fevereiro de 2018

Colaboração: MAC - Movimento Arte Contemporânea

 

 

 

“PARA ALÉM DA REALIDADE”

1990 a 2017 – 27 anos de Pintura.

 

Viajo em delírio aspirando perfumes ocres e vermelhos,

Trespassando estrelas, cruzando o firmamento,

Rejubilo com os cometas céleres de prata e espelhos,

Sinto em mim esferas de luz e conhecimento!

 

Rasgo o horizonte das galáxias imemoriais,

Deslumbram-me os guardiães do tempo!

Flutuam mesclados em paisagens intemporais,

São a harmonia, o belo, um monumento!

 

Dentro de um mar orgânico,

Refundo-me dentro do meu ser,

Atravesso concavidades num espaço oceânico,

Alterno por mundos difíceis de descrever!

 

E por fim, irrompo vertiginosamente do Cosmos,

Afinal,

Simples molécula da diversão de um deus…

Invisível, desconhecido… inexplicável!

 

 

Quando regresso de cada viagem, todo o meu ser se volta a comprimir dentro do espaço físico do meu corpo… mas o meu espírito, esse, é cada vez maior…

E assim, a distância entre o céu e a terra, encurta-se … sem nunca diminuir!

 

Álvaro Assunção 2017

 

CATÁLOGO

 

 


 

 

Exposição de escultura de Moisés Preto Paulo

De 17 de novembro de 2017 a 6 de janeiro de 2018

 

 

 

Nascido em Almada em 1963, Moisés Preto Paulo tirou o curso de escultura na faculdade de Belas Artes, e foi fundador do Centro Internacional de Escultura, em Sintra, onde vive e trabalha desde 1987.

Desde 2002, é coordenador da exposição monumental de pedra “Sintra Arte Pública”, considerada a maior exposição de escultura ao ar livre do país, e que anualmente decorre no centro histórico de Sintra.

Moisés Preto Paulo foi também cofundador da Associação “Casa das Artes”, de Sesimbra, e autor de vários monumentos e eventos nacionais e internacionais. O seu trabalho espalha-se ao longo de 30 anos e está representado em mais de 20 países. O artista participou em cerca de 150 eventos coletivos, desde exposições, simpósios, feiras, animações, e mais de 30 exposições de escultura individuais.

Moisés trabalha principalmente a pedra (mármores) e o metal, seus “materiais eleitos pela sua nobreza e ligação às estéticas e lógicas das linguagens contemporâneas”.

Conforme se pode ler no catálogo da exposição que traz a Aljustrel: “ Moisés apresenta-se como uma viagem intemporal a um mundo dos sonhos com uma visão de ironia e fantasia. Estabelecido no panorama da Arte, tanto nacional e internacionalmente, as suas composições artísticas revelam um carácter intenso, cinético e construtivo ligando-se a temáticas e experiências do quotidiano e da história, tornando-se representações interpretativas da Natureza e do ato de viver”.

 

 

 


 

 

Exposição de pintura de Agustinha Eusébio

De 20 de outubro a 11 de novembro de 2017

 

 

Maria Agostinha Eusébio.

Nasceu em Aljustrel em 1958. Autodidata pinta regularmente desde 2006. Em 2011 participou na Galeria Aberta em Beja e em 2016 abriu o seu atelier de pintura e exposição em Aljustrel.

Para o ano de 2018 já tem agendada uma exposição individual em Portimão nas instalações do EMARP.

Não seguindo um estilo ou técnica específica, a artista pinta por fases. Segue os sentidos e sentimentos, entrecruzando-os com novas experiências. A obra acontece conforme o seu estado de alma.

 

 

 

 


 

 

Exposição de pintura e desenho de Carlos dos Santos

De 16 de setembro a 14 de outubro de 2017

Colaboração: MAC - Movimento Arte Contemporânea

 

Pela profunda exploração da realidade que nos propõe a nível existencial, material, sociológico e plástico, Carlos dos Santos é um artista que trabalha intensamente. Nesta perspetiva ele nunca dissociou o ético do estético, foi sempre exigente e crítico consigo próprio, com os outros e com as circunstâncias.

No fundo a sua obra é reflexo de um processo intelectual e moral que Carlos dos Santos, com personalidade radical, exprime através dos instrumentos próprios da arte.

A sua técnica caracteriza-se pela perfeita harmonia das cores e na sobriedade dos encantamentos que nos revela, fazendo-nos parceiros da beleza que cria, levando-nos ao mundo alegórico das fantasias que busca na incessante faina de criador, traduzindo toda a sua criatividade nos trabalhos que nos apresenta.

As suas telas são reveladoras de um mundo bem exposto, imaginativo, impetuoso e criativo que nos convida à meditação.

Imagens de impacto visual, formas recorrentes, a alimentar um desejo de comunicações construtivas, que, parecendo figurativas mas ultrapassando com sabedoria essa fronteira, transportam em si a enorme força que só é possível quando o que está em causa é a pintura e o desenho na verdadeira aceção da palavra e à qual Carlos dos Santos tão bem se dedica.

 

A exposição que Carlos dos Santos agora nos apresenta nas Oficinas de Formação e Animação do município de Aljustrel, a que intitulou de “Teatro dos Sonhos” dotada de uma boa técnica e de uma observação enriquecedora, certamente será do agrado de todas as pessoas que a visitem.

 

Álvaro Lobato de Faria | Director Coordenador do MAC | Movimento Arte Contemporânea

 

 

 

 


 

 

 

Exposição de pintura e desenho dos ALUNOS DA SOCIEDADE NACIONAL DE BELAS ARTES DE LISBOA

 

De 4 a 30 de agosto de 2017

 

 

Como habitualmente, a SNBA Sociedade Nacional de Belas Artes, vem mostrar nas Oficinas de Formação e Animação Cultural de Aljustrel, um conjunto de obras dos  alunos de diferentes níveis de formação do  Curso de Pintura, sendo que  este ano estão também expostos trabalhos de alunos dos diferentes níveis do Curso de Desenho. Assim, esta mostra colectiva  reveste-se de características bem definidas, expondo com clareza a Pedagogia interna dos mencionados Cursos, não desmerecendo da qualidade autoral de algumas das peças expostas.

O Curso de Desenho, baseado em grande medida na compreensão e correcta representação do corpo humano - utiliza os recursos expressivos de materiais conjugados; enquanto o Curso de Pintura está mais vocacionado para uma afirmação autoral dos seus discentes, por aí justificando outro tipo de metodologia(s).

Aproveito esta oportunidade para louvar e saudar o interesse da autarquia, nesta divulgação de obras de artistas que se afimam progressivamente e de outos já com outro tipo de manifestações. e que  aqui encontram uma real possibilidade de divulgação dos seus méritos próprios e das suas Obras. 

Jaime Silva

 

 


 

 

 

TIME LAPSE _ exposição de pintura e fotografia de Tim Madeira e António Alves da Costa

De 30 de junho a 22 de julho de 2017

 

Nascido em Lisboa, em 1955, Tim Madeira tem o curso de Iniciação às Artes Plásticas do Museu de Arte Antiga. Frequentou o curso de pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e o Curso de Comunicação Visual do Professor Martins Correia. Além disso, é possuidor do Curso de Fotografia Arco, e em 1981, formou-se em arquitetura na Escola Superior de Arquitetura de Madrid, e ainda na Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa - Experiência Profissional. De 1982-1991, esteve no Atelier Henrique Madeira, entre 1993-2011, foi arquiteto, responsável por todos os layouts dos eventos da empresa João Lagos Sports.
Tim Madeira é um artista que vive da arte, com a arte e para a arte. O seu estilo próprio, marcado por inspirações globais, e com uma invulgar dinâmica e um explosivo espírito de entrega, leva-nos a uma viagem onde cada traço, cada cor, cada forma e cada composição são símbolos vivos de perceções estéticas e sentimentais sobre uma relação dialética que não nos é alheia: a interação com o mundo dos tempos.
E é na tela que Tim Madeira se exprime, com efusão, inspirado por viagens, muitas vezes sem destino, solitárias e ofegantes, e com o contributo de António Alves da Costa transcende manifestações emocionais no espaço e no tempo. 
Conforme explica o sociólogo, Miguel Brilhante, e diretor-geral do Coliseu Micaelense: “…Tim e António transportam, efetivamente, essa imensidão de energia para a sua obra conjunta…Em “Timelapse” - Pintura, Fotografia e Instalação, podemos atestar essa multiplicidade de destinos cuja criação ecoa a proximidade e a envolvência das obras apresentadas nesta exposição, onde António Alves da Costa também nos surpreende, nos seduz e nos conquista pelos trilhos da partilha com que nos envolve nas suas mais diversas e dinâmicas produções fotográficas”.

 


 

 

"Whiiims - Caprichos" _ exposição de pintura e serigrafia de Rico Sequeira

De 26 de maio a 23 de junho de 2017

 

Rico Sequeira

Whims, ao longe seria uma onomatopeia de Rico Sequeira, mas se olhar mos mais perto e com mais atenção constatamos que é a palavra inglesa para Caprichos.
Este é um dos pontos em que a arte de Rico Sequeira e Francisco Goya se tocam, disse um deles, pois outro ponto bastante saliente é a forte inspiração que Goya tem na pintura de Rico Sequeira, colmatada agora nesta serie de serigrafias, 16 felizes casamentos, entre o mundo caprichado e o mundo colorido e apetecível.  

Originalmente estes caprichos seriam no séc. XVIII, os caprichos da nobreza e do clero, hoje em dia estes novos caprichos são como uma sátira invertida à sociedade do nosso século XXI, colorida, rica, omnipresente e como se a arte fosse alcançável e não elitista, a imagem idealizada.

Ao olharmos para cada uma das 16 serigrafias somos confrontados com uma história de caprichos, que se olharmos com atenção se esmiuça em várias histórias, e várias cenas, como uma cena primária e depois uma secundária no mesmo palco. Ao recriar e renovar estes caprichos Rico Sequeira conseguiu transformar a mensagem que originalmente Goya nos traduziu de lúxuria do séc. XVIII, para uma mensagem adaptada a cada um de nós, tornando tão gentilmente, genuinamente e simplesmente a arte elitista em um bem alcançável a todos nós.

Entre rosas, saias rendadas, estendais, traços de desenhos e frades radicais envoltos em gritos de onomatopeias, vemos o gosto de cada um, vemos o clássico tornado pop, vemos o antigo tornar-se no futuro, e mais que tudo vemos o quão bem estes aspectos se envolvem e são felizes.

 

Rita Sequeira

 

 

 

 


 

 

 

EXPOSIÇÃO COMEMORATIVA DO 10º ANIVERSÁRIO DAS OFICINAS DE FORMAÇÃO E ANIMAÇÃO CULTURAL

Exposição coletiva de pintura, escultura, fotografia, ilustração e serigrafia

Homenagem ao Professor António Inverno

Patente até ao dia 20 de maio de 2017

 

 

 


 

Desencontrados _ exposição de escultura dos Alunos da Faculdade de Belas Artes de Lisboa esteve patente até 15 de abril de 2017

 

Exposição

 

Não é simples fazer uma exposição de escultura. Não falo das questões pragmáticas ligadas ao esforço, ao peso e às dimensões, falo de nos expormos. De início é fácil, expomos expondo-nos com uma ligeireza quase comovente. Como se fosse só para ser assim, e é. De tanta concentração, investimento, ânimo que se teve para aquele momento o mais que se quer é ser visto, nem se pensa muito sobre isso. É um ímpeto muito grande de querer dar a ver, tem de ser. Trabalhos muito crus, pouco filtrados, sem artifícios nem embustes e esses, se os houver, são em si mesmo exculpados.

Só mais tarde, quando se reflecte mais sobre aquilo que se faz e expõe se percebe o difícil que é expor, expormo-nos. Quem olha, quem vê, quem está de fora não sabe a transparência que os escultores ganham quando expõem os seus trabalhos. Tudo fica em nu.

Pelo medo da exposição ou pela consciência do que se faz, começam os filtros e os ardis. (É fácil cair em artifícios, porque podemos sempre expor sem nos expormos. Mas aí deixa de haver verdade e o embuste é reflectido, o trabalho uma falácia e Escultor uma palavra oca). Nesse momento ou simplesmente não se expõe e se não se expõe – porque a arte só existe enquanto é vista, apreendida, intuída, percepcionada, vivenciada, como lhe quiserem chamar – não se faz e deixa-se de ser Escultor (ou então faz-se, porque para um Escultor é impossível deixar de fazer, mas não se expõe porque ainda que não se importe de expor não se quer ver exposto).

De muitos alunos de Escultura que saem todos os anos da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa a grande maioria deixa de fazer. Não sei porquê. As razões, dizem-me, são muitas e - porque é mais fácil assim - prendem-se sempre com questões de ordem prática: falta de espaço, falta de equipamentos, falta de tempo, falta de dinheiro. (há sempre uma falta, mas até que ponto é essa falta tão objectivamente identificável, que falta é essa?) E de exporem, de se exporem, fica apenas o percurso académico que realizaram e onde o trabalho, todo o processo, foi exposto a todos dentro daquele edifício.

Quando soube que o título desta exposição era “Desencontrados” automaticamente o relacionei com o filme “Os Inadaptados”, de John Huston, onde três personagens vagueiam pelo deserto do Nevada à procura de um sentido para a vida no meio de um tempo que já não é o deles.

Se de início me assustou o título da exposição e a relação que fiz com o filme, por outro lado, e esse é para mim o sentido, existe aqui um quase manifesto, uma vontade enorme de não querer estar conforme, uma expressão de resistência de querer ficar forma da norma.

Se de início me assustou ver jovens escultores, em início de carreira, com uma visão fatalista deste tempo - que é o deles - por outro lado aquilo que assumem como vontade de não pertença, de não estar afim, é afinal a constatação de que ainda há autênticos Escultores que se mantém verdadeiros, transparentes, que expõem e se expõem com ímpeto, sem pesar bem as coisas mas com toda a verdade.

 

João Castro Silva

(Professor Auxiliar Escultor)

Lisboa 24.02.17

 

 


 

 

Transfer _ exposição de Pintura de Rita Melo esteve patente até 4 de março de 2017

 

Rita Melo nasceu em 1982, no Porto e reside, atualmente, em Setúbal. A artista é licenciada em Pintura pela Escola Universitária das Artes de Coimbra, ARCA, pós-graduada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa e mestre em Artes Visuais pela Universidade de Évora. Rita Melo está representada em coleções públicas e privadas em Portugal e no estrangeiro e, desde 2004, expõe, regularmente, em galerias, museus, feiras internacionais de arte contemporânea e museus.

Na exposição TRANSFER que traz a Aljustrel “coloca-nos num paradigma existencial entre um passado contraposto com um olhar imagético no futuro. As pinturas apresentadas remetem-nos para um resgate de personagens renascentistas. Como se do passado nos viessem colocar questões, num jogo dinâmico com o Homem Contemporâneo. Uma chamada de atenção para o desenvolvimento pessoal e integral do Homem atual”.

A exposição estará patente ao público até ao dia 4 de março e, como habitualmente, visitas guiadas à exposição podem ser efetuadas, mediante marcação prévia, às quartas-feiras, para o público escolar e público em geral.

 

 

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"Pompeia" _ exposição de Pintura de Branislav Mihajlovic esteve patente até 4 de fevereiro de 2017

Colaboração: MAC - Movimento Arte Contemporânea

 

 

Branislav Mihajlovic nasceu em Belgrado, Sérvia, em 1961. Desde muito novo dedicou-se à pintura e já na idade pré-escolar participou em vários concursos e exposições. Obteve o primeiro prémio internacional, aos oito anos, num concurso  organizado pela UNICEF em Nova Deli, India.

Em 1986, graduou-se em Pintura pela Escola de Belas-Artes da Universidade de Belgrado, onde completou o mestrado em 1989. Depois de várias viagens de estudo, estabeleceu-se durante dois anos, em Amesterdão (Países Baixos). Desde 1992, vive e trabalha em Cascais. Participou em mais de 70 exposições coletivas e individuais na Sérvia, Países Baixos e Portugal.

Segundo Álvaro Lobato de Faria, diretor e coordenador do MAC, as telas de Branislav Mihajlovic são “reveladoras de um mundo sabiamente exposto, implacável, imaginativo e impetuoso, pleno de criatividade que nos convida à meditação/…/ com imagens de forte impacto visual, formas recorrentes, a alimentar um desejo de comunicações construtivas/destrutivas”.

O grande talento e sobretudo a surpreendente qualidade técnica e criativa deste grande artista das artes plásticas está bem patente nesta “sua exposição a que chamou “Pompeia” dotada de uma técnica rigorosa e surpreendente, de observação muito enriquecedora”.

 

 

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A Exposição de Pintura e Desenho de Hélio Cunha esteve patente até 6 de fevereiro de 2016

Colaboração: MAC - Movimento Arte Contemporânea

 

 

A arte de Hélio Cunha constitui um elo entre a pureza do traço e a beleza das formas. É algo não só peculiar, mas até mesmo magnífico, uma visão toda nova e toda sua a engrandecer e a enriquecer o nosso olhar e a maneira de percebermos, através desta postura, as coisas e o universo em que vivemos.

Na sua obra há o espaço que apenas com o olhar se vislumbra, mas há também e sobretudo, a sugestão das coisas que gostamos sem as vermos. Nada sobra, nem um só traço que não seja essencial. O silêncio das coisas é uma forma de absoluto anseio da totalidade perdida.

Estamos perante uma arte memorial, testemunho de um eu, de um questionamento interior. Sussurrar de segredos cuja leveza não é mais que o produto da força plástica e do uso sábio das cores, que apelam à experiência existencial do espectador e à emoção estética.

O seu desenho exato e nítido dá-nos paisagens desérticas, visões harmoniosas e cruéis pintadas com cores vibrantes, oferecendo-nos incontáveis e aliciantes leituras.

Hélio Cunha, lança como que uma escada entre os mundos do real e do irreal, palmilhando a estrada dos homens, onde caminhos perdidos, enfrentam uma beleza intraduzível.

Sem dúvida que a sua obra, emana um grande fascínio que nos faz sentir estar perante um exemplo de autenticidade muito rica e intemporal.

Por detrás das suas personagens, metamorfoses excêntricas que se associam de imediato a Hélio Cunha esconde-se um pintor curioso da Verdade e amante da Arte.

As suas obras são reveladoras de um mundo sabiamente exposto, implacável, imaginativo e impetuoso que nos convida à meditação. 
Obras de forte impacto visual, formas recorrentes a alimentar um desejo de comunicações construtivas/ destrutivas,  mas ultrapassada com sabedoria essa fronteira, transportam em si a enorme força que só é possível quando o que está em causa é a arte na verdadeira aceção da palavra e à qual Hélio Cunha tão bem se dedica. 

Estamos na presença de um artista sem hesitações, dotado de um impulso constante e ritmado, onde cada tomada de consciência nos abre o caminho para o seu mundo multidisciplinar, onde cada gesto tem o sabor de uma certeza, cujo procedente é despertar para novas formas de percecionar.     

A arte de Hélio Cunha, extraordinariamente sensível na fluidez da linguagem das formas, na vigorosa materialidade da cor, na força e no encanto da sua evasão e do seu êxtase, é uma fascinante e esplêndida aventura espiritual e técnica.

As suas obras, são pois materialização de anseios e de sonhos, notas de realce, na Pintura Portuguesa Contemporânea.

 

Álvaro Lobato de Faria

Diretor coordenador do MAC

Movimento Arte Contemporânea

 

 

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Esteve patente até 7 de janeiro de 2016 a exposição de Pintura de Svetlana Potemkina

 

 

 

 

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Exposição de Escultura - Desenho - Fotografia de João Cutileiro esteve patente até ao dia 28 de novembro de 2015

Colaboração: Direção Regional de Cultura do Alentejo

 

 

João Cutileiro, uma das maiores figuras da arte e da cultura portuguesas, tem-se destacado principalmente no panorama da escultura portuguesa. Amado por uns, detestado por outros, João Cutileiro conta no seu currículo com obras que lhe têm valido grandes momentos de glória e de desprezo. A sua estátua de D. Sebastião, em Lagos, é exemplo da importância que sempre deu à liberdade de criação, contrariando todos os preconceitos do conservadorismo estético apadrinhado pelo Estado Novo.

Na sua busca pela modernidade e criatividade, João Cutileiro criou o seu próprio caminho, e contribuiu para a criação e a reinvenção de modelos.

João Cutileiro, filho de pais alentejanos, nasceu em Lisboa em 1937. Vencedor de vários prémios tanto em Portugal como no estrangeiro, o escultor vive e trabalha, atualmente, em Évora.

A exposição, que agora apresenta em Aljustrel, reúne trabalhos de escultura, desenho e fotografia, e foi organizada com o apoio técnico da Direção-Regional de Cultura do Alentejo. Conforme se pode ler na brochura de apresentação da exposição: O conjunto de trabalhos de João Cutileiro aqui selecionados, se por um lado indicia o papel do desenho no contexto dos processos de construção da escultura, constitui também obra autónoma. Se para o processo de estudo e produção da escultura o desenho é primordial, também é certo que os desenhos de Cutileiro são produto da contaminação da escultura - o domínio do desenho a preto sobre a folha branca, como as linhas das formas retiradas à pedra.

A fotografia, por outro lado, integra o processo criativo numa perspectiva diversa. É a necessidade de observar e conhecer o outro para que a obra tenha corpo e alma. Predomina o retrato e os retratados são sempre os amigos, a família, os resultados da observação constante e da convivência diária, parte do contexto criativo e da envolvência próxima.

Como na fotografia, o desenho e a escultura são ideia ancorada no real. Ora abstratizante ora naturalista e sempre simbólica a linguagem plástica de João Cutileiro retira da realidade o problema/tema que trabalha e se transforma em face do espectador que se dispõe a olhar.

 

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"Sintonias e Contrastes Suburbanos" _ exposição coletiva de Pintura e Escultura esteve patente até ao dia 31 de outubro de 2015

Colaboração: ARTES - Associação Cultural do Seixal

 

A exposição reúne 27 obras de 25 artistas que, baseando-se numa temática geral, se inspiraram na vida de quem habita num subúrbio à beira mar para pintar os seus quadros.

A ARTES – Associação Cultural do Seixal é uma agremiação de pessoas interessadas na arte, que nasceu há 26 anos. Ao longo deste tempo, tem assumido um protagonismo local, no Concelho do Seixal, mas também nacional e internacional, devido às exposições coletivas e individuais realizadas pelos seus artistas em diversas galerias do país e do estrangeiro.

Além do trabalho dos seus membros, a associação promove cursos de iniciação e de consolidação em diversas técnicas, tendo neste momento em atividade cursos de pintura e de modelagem. Tem também assumido um papel de relevo no desenvolvimento e promoção local da atividade artística, trabalhando com escolas e centros de idosos. Neste momento, os elementos da ARTES estão a colaborar na pintura mural de uma creche a ser inaugurada. A ARTES realiza, para além disso, um concurso bienal, a nível distrital, com o intuito de captar novos talentos.

 

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"Variações" _ exposição de Pintura de Juan Sanchez esteve patente atá ao dia 3 de outubro de 2015

Colaboração: MAC - Movimento Arte Contemporânea

 

 

A sua pintura personificada em gestos de cor que ecoam no espaço em misteriosas manchas, superfícies rasgadas, por um profundo cromatismo ora de forma ardente e comprometedora ora criando desencontros de sensibilidade onde a magia difundida em pinceladas arquitetonicamente concebidas, produzem um perfeito equilíbrio de sensações. Fugazes movimentos dispostos com um sentido muito próprio brotam nas texturas serenamente criadas onde a alma e fantasia evocam ímpetos de criação. A sua força estética, a sua qualidade artística mais íntima, nasce da convivência entre formas ricas eespontaneidades aparentemente incontroladas. As “coisas” estão e não estão. Cumprem um rito poético, uma cerimónia de indeterminação e ambiguidade, estabelecem e assinam um pacto de estreitamento, adquirindo uma extraordinária dimensão para a consciência emocional, criando um mundo de expressão, movimento evisualidade, onde traços e cores se encontram num suave e místico prazer. Do animal ao divino, com acentuado predomínio do humano, tudo quanto tem rosto ou parece ter rosto, se vê representado nestas obras, com grande mestria pelo pintor Juan Sánchez.A qualidade da matéria que imprime aos seus trabalhos, a força expressiva das suas formas, o poder tão comunicativo do seu mundo cromático, são elementos da pintura que realiza Juan Sánchez e que lhe vinca personalidade inconfundível. As suas obras são pois, materialização de anseios e de sonhos, notas de realce, na pintura contemporânea. A sua exposição “VARIAÇÕES”, nesta série de obras, diversas na feitura, mas unas na conceção e neste momento, aqui expostas, confirmam, expressivamente, o talento, o bom gosto e sobretudo a alta qualidade técnica de quem as realizou. E como a ARTE é sempre uma forma de expressão relacionada com cada temperamento, eis porque as obras que Juan Sánchez interpreta, são afinal documentos sinceros do seu mundo sensível, da sua personalidade e aqui reside um dos seus maiores triunfos.


Álvaro Lobato de Faria

Director do MAC

Movimento Arte Contemporânea

 

CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO

 

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Exposição Antológica - Pintura e Desenho de Jaime Silva

esteve patente até ao dia 5 de setembro de 2015

 

 

Cenas breves do percurso de Jaime Silva

 

1. O primeiro momento é marcado por um ato que contraria o efeito instalado das imagens.
A via é a da negação, a da desocupação da pintura, do seu esvaziamento de sinais identificadores de modelos, convenções e rituais de visionamento. É a via da interrupção do desenho e da pintura através de encobimentos ou desvendamentos.
ao referir-nos ao conteúdo da pintura, não falaremos de retrato ou precisaremos de negociar o termo. Não falaremos de retrato ou precisaremos de convocar a máscára, o fantoche, a marioneta e outros sinais, grotescos, incómodos, até violentos, por vezes risíveis, que anulam a gravidade do género.

Não falaremos de pintura figurativa ou teremos de prestar atenção à tentativa evidente de desmontar a carga estabelecida desse modelo artístico.
Esse primeiro momento contém os elementos próprios das fracturas em que a um panorama histórico se opõe ou se opõe um horizonte de ruptura. Não será, no entanto, possível encenar de forma grandiosa essa oposição porque a produção de Jaime Silva também pode ancorar-se em aspetos da tradição recente.
De Paris, em 1978, para Portugal, em 1980, e do Centro Cultural Português da Fundação Calouste Gulbenkian para a Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, e depois para a Galeria Roma e Pavia, no Porto, o pintor vai desfigurando a figuração, riscando, anulando, agredindo ou vazando rostos, desalojando da sua produção os modelos históricos e estéticos, técnicos e académicos, para se aproximar de impulsos e de irrupções informais. E vai recebendo o o comentário de críticos como Egídio Álvaro, Fernando Azevedo ou Fernando Pernes.

2. O segundo momento assinala a construção depois da desconstrução e é visível a procura de uma linguagem e de um modo próprio. Na obra de Jaime Silva permanecem vestígios de figuração, criaturas que mal se divisam, sugestões de elementos reconhecíveis. A figuração ainda pode ser tentadora, mas vai predominar um gesto amplo e um traçado vasto e largo que caem, demolidores e firmes sobre quanto poderia estar em fundo. Ao percorrer os seus catálogos de exposições, uma breve frase de Nelson Di Maggio assinalava precisamente essa mudança com desenhos de grande formato.

O desenho precipita-se sobre a superfície vindo da zona superior do suporte e do que está para lá dele e vai cessando a sua existência, ao longo daquela, em diagonais irregulares, deixando-a em branco na zona inferior, desequilibrando todo o suporte percorrido pelo desenho. A vertigem do ato e a força fazem destes desenhos experiências da maior importância na obra do artista.

Esses desenhos vão aparecer na LlS’Bl, seleccionados por um jurí formado por Fernando Pernas, Fernando Calhau e Julião Sarmento, na representação portuguesa a V Trienal da India, organizada por Fernando Calhau em 1982, e serão depois mostrados na Sociedade Nacional de Belas Artes. Um dos desenhos desta serie foi recentemente oferecido pelo artista a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e mostrado na exposição “Cinco Séculos de Desenho”, no Museu Nacional de Soares dos Reis. A oferta de um trabalho desse período e o facto de o artista o ter escolhido para se fazer representar na coleção da instituição onde se formou são dois gestos reveladores do papel que o artista lhe atribui. 

3. Depois da experiência refundadora do desenho, a decisão de retomar a pintura verifica-se num terceiro momento do percurso de Jaime Silva, ao longo da década de 80 do século XX. Uma exposição na Galeria Quadrum, em 1985, com texto de Fernando Azevedo, mostra o resultado dessa decisão na pintura abstracta, assumidamente gestual, que então apresenta. D tempo da pausa deu lugar ao tempo da energia e o das formas as forcas, remetendo para o passado a pintura dos primeiros anos.

A ocupação total do espaço que o artista decidiu promover e quase chocante, mas compulsiva na entrega que se pressente, no envolvimento total, na convição de que é na pintura que esta em jogo a existência plena e esta requer outra escala, outra expansão, outra adesão, O que aconteceu as interrupções anteriores, às paragens abruptas de preenchimento do suporte que, em certos casos, deixava verter no vazio meras escorrências? Não tem lugar, aqui e agora, na vitalidade com que a pintura é realizada.
Não é, no entanto, caótico o resultado, senão que se insinuam componentes organizadores da pintura e indutores da sua leitura - um núcleo, um olho, como diversos autores referiram, o centro de um vulcão – a trair a necessidade (gestáltica, seguramente interior) de um elemento de apoio. Um elemento facilitador que desencadeia tudo o que prossegue? Talvez esta circunstância tenha encaminhado a pintura para uma maior estruturação e maior delicadeza de abordagem. Surgem elementos verticais, formas claramente percetíveis, maior proximidade e detalhe, e, onde havia uma questão de espaço a resolver, agora tudo se enquadrava numa questão de tempo.
Em finais da década de 80 começava a fazer-se uma primeira revisão crítica do seu trabalho e o texto de Cristina de Azevedo Tavares, na revista Colóquio Artes, em 1988, e prova disso mesmo, abordando cerca de década e meia de pintura e desenho.

4. Um breve intervalo no itinerário entreve-se numa contenção de escala e no modelo de registo adotado aí pelos meados dos anos 90, mostrado numa exposição de desenho na Galeria Arte Periférica, em 1994.
Os desenhos então expostos têm origem na paisagem transmontana de Freixo de Espada-à-Cinta onde o artista exercitou e evidenciou a relação entre o olhar e a mão, entre a mão e o pensamento, síntese que define o próprio ato de desenhar. Nãofalaremos, portanto, de paisagem porque precisaremos, uma vez mais, de negociar o termo. Não falaremos de vistas porque e uma adesão interior que se sente e que quebra a objetividade, a neutralidade e a dignidade histórica inerente a paisagem. O controlo e o domínio com que os desenhos surgem elaboram uma escrita ao alcance da mão. São extraordinariamente contidos e, ainda assim, expressivos.
A partir deste ciclo de desenhos, de sensibilidade paisagista tomada para si e convertida num modo próprio, desencadeia-se uma evolução que se diria natural.

Averigua-se esta nos desenhos com aguarela que constituem um desenvolvimento notável dos desenhos anteriores a que a aguarela confere uma vulnerabilidade muito particular. Sucedem-se peças intimístas que adquirem o ar de um diário, a atmosfera de uma confidência privada, o carácter poético de uma entrega romântica à paisagem e ao mundo vegetal e floral. Não deixam de ser escritas - como o eram os grandes desenhos dos inícios de 80 - mas alterou-se profundamente a intencionalidade e os modos de fazer.

O desenho voltará com uma forte presença em 2007, numa exposição intitulada Cadernos de Sombras e apresentada na Sociedade Nacional de Belas Artes. Escrita e figura cruzam-se nesta proposta, mas um gosto estrutural que os desenhos anteriores não ostentavam, e agora evidente.5. A passagem de milénio assiste ao regresso a um dos pretextos constantes da arte - o corpo humano - e fá-lo de um modo que se poderia qualificar de tacteante. Não se entenda na palavra um sinónimo de hesitante, mas de retoma dos aspetos que nortearam longo tempo a presença do corpo na arte, no que tal implica de utilização do modelo vivo; no que implica em termos da procura da pose, da busca de escala, proporção, movimento, da colocação no suporte, da criação ou negação de envolvimento; no que o termo implica de indagação em torno da carga histórica que esse modelo, masculino ou feminino, transporta.

Cena final

O pintor disponibilizou-me uma pasta de arquivo com os seus catálogos, escrupulosamente organizados, arquivados por ordem cronológica. Consultei a pasta do fim para o principio, ou seja, do principio do percurso artístico para o momento mais recente e pergunto-me o que teria acontecido se tivesse folheado o dossier pela ordem que o pintor entendeu adequada - da atualidade para o passado.

Para a opção que tomei há uma justificação que terá algo a ver com a interiorização do modelo histórico de abordagem dos temas, com a formatação cronológica e a necessidade de um princípio, um desenvolvimento e um remate para a apresentação desses temas. Confirmo que o trajeto que fiz pelos documentos foi acertado porque revelou um tempo do meio com o qual gostaria de identificar o artista deixando, nas suas margens, o gesto e o corpo. O tempo do meio parece ser o tempo do encontro e as margens, os espaços da procura.
Pergunto-me também a justificação que existira para a opção que o artista tomou e presumo que terá algo a ver com um sentimento de viver no presente e com uma necessidade de, por abundantes que sejam as referencias ao passado, se reconhecer no trabalho em curso.
No fim da consulta, ou seja no início da pasta, aparece um texto de Jaime Silva. É o artista quem propõe um marco que assinala o inicio: a data de 1973 e os trabalhos de Paris. E ainda o artista quem, para lá da baliza cronológica, propõe pistas de leitura, quando considera a relevância do funcionamento do inconsciente e do sonho e, ao mesmo tempo que convoca estas instâncias, pretende observar as particularidades da condição humana. É, finalmente, o mesmo artista que procura enquadrar o seu trabalho nos movimentos artísticos do seculo XX, o surrealismo, o expressionismo gestual e o informalismo. Durante este trabalho chegou-me às mãos um outro texto de Jaime Silva - que espero fique registado neste catálogo - e esse traz a superfície outros dados, de teor informativo. Texto importante sobre as suas motivações e sobre uma época que é asua.

No fim, tudo se resumiria a pergunta: o que fez de Jaime Silva um pintor? Não falaremos da oportunidade, das circunstâncias de formação, das leituras feitas e das obras vistas, dos museus visitados porque precisaríamos de negociar o termo formação e explicitar que nada há que se aproxime do artista sem que ele o tenha procurado, ainda que inconscientemente, e nada há na sua procura que não lhe surja fortuitamente no caminho. Um pintor pode resultar da acumulação das referências culturais e artísticas, das suas experiências sociais, da sua formação académica, dos contactos estabelecidos, dos seus ideais políticos, que nada explicitará, pelo menos de forma convincente, a sua conversão a tal atividade. Ela corresponde a um modo de estar e de ser.

Não foi por acaso que optei pela palavra cena, para designar os breves parágrafos em que alinhei sucessivos comentários a obra de Jaime Silva. Há uma dimensão teatral no modo como descobrimos o trabalho de um artista. Nos bastidores - nos ateliers - uma produção intensa tem lugar e desenvolve-se ate ao momento em que e encenada num espaço próprio, apresentada numa galeria, mostrada segundo critérios que convidam a performance (do visitante). Sem ter estado nessas exposições, posso adivinhar o carácter cenográfico que a obra plástica adquire nesses palcos e o comportamento dos seus espectadores.

Entre uma e outra cena, sempre breves, a duração e de diferente espessura e intensidade e enquanto o artista dissolve progressivamente o que ficou para trás, atualiza a sua relação com o mundo. 

Laura Castro

 

 VER CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO

 

 

 



 . exposições anteriores . 2014


Esteve patente até ao dia 8 de fevereiro a exposição de pintura de Romão Peres

 

 

Esteve patente até ao dia 4 de janeiro a exposição de fotografia de Nicola Di Nunzio

 

 

 

Esteve patente até ao dia 30 de novembro de 2013 a exposição coletiva Visões Submersas no Azul

 

 

 

Esteve patente até ao dia 2 de novembro a exposição de pintura quietude de Carlos António

Colaboração: Municipio de Beja / Galeria dos Escudeiros

 


 

Esteve patente até ao dia 5 de outubro a exposição de pintura Ritos Interiores de Intensidade Mágica de Graciete Rosa Rosa

Colaboração: MAC - Movimento Arte Contemporânea

 

Graciete Rosa Rosa

 

Foi com muito agrado que recebi o convite para apresentar a exposição de uma mulher, pintora, que ao longo dos anos me tem merecido cada vez mais carinho e admiração. Ano após ano, entre o MAC – Movimento Arte Contemporânea, espaço cultural que coordeno, e a Pintora Graciete Rosa Rosa tem-se estabelecido uma colaboração profícua, numa relação tão próxima que ultrapassa a relação meramente profissional.Falar da mulher é falar da pintora que há tantos anos a habita, orientando-lhe sentidos e direções, mas buscando nela a força vital que imprime nas telas, a força das memórias, a força de uma pesquisa constante e empenhada em alcançar respostas que há muito deixaram de ser procuradas. Mas a Graciete não desiste. E procura, tela após tela, essas verdades universais que nos distinguem dos outros seres, num repertório simbólico e rico que reflete as preocupações de quem não se cansa, de quem não se acomoda, de quem não abandona o ideal de criar um Mundo de sonho e “afetos”, que consiga diminuir o hiato que se estabeleceu entre o mundo material e o mundo espiritual.É na vitalidade orgânica desses afetos que Graciete Rosa Rosa encontra a energia criativa que imprime à sua obra, um composto da força e fragilidade que a caracterizam como mulher.Marcada pela musicalidade que a pincelada exerce sobre a tela, a sua obra é fortemente influenciada por um simbolismo metafórico, assinalado pela desmaterialização das formas, que anulam a própria dimensão da matéria e proporcionam-nos uma sublimação do que de mais íntimo, a obra da pintora tem para oferecer. Regida por uma intuição tremendamente feminina, a sua linguagem imagética liberta-se pela atitude imaginária com que nos conduz ao seu universo lírico, sendo a cor retratada na Exposição Ritos Interiores de Intensidade, como um jogo de harmonias, em sucessões de ritmos intensos e tenazes que cativam o olhar, e na memória dum inconsciente esquecido, mas presente em todos nós. Graciete Rosa Rosa é uma pintora-poeta, uma cronista do imaginário, vivendo a visão livre da sua figuração psicológica, inebriada por um clima ameno de luz e sonho, celebrando um amor inocente por uma natureza em liberdade, como num certo modo de espiritualidade ou de vida interiorizada, voltada para a integridade do ser existencial. Um universo de ternura em que o real e o onírico se cruzam, os vazios e os cheios se complementam, o reflexo e a imagem se confundem. Tudo em Graciete Rosa Rosa é pulsão. Fascínio que toca, que perturba, que sugere, que obriga a olhar. E a cada olhar vemos o quanto nos dá.Estamos hoje gratos, Graciete, por quão generosa tem sido em partilhar connosco tanto de si, dos seus mundos e das suas vivências tão ricas.Bem-haja pelo tanto que nos dá.

 

Álvaro Lobato de Faria

Diretor-Coordenador do MAC

Movimento Arte Contemporânea

 


 


 

Esteve patente até ao dia 7 de setembro de 2013 a Instalação "As Portas Mortas" de Vitor Caos


 

"A porta como objecto de utilidade rotineira e dúplice, com a função de abrir etambém com a função de fechar, paradoxo e complementaridade que lhe conferiuuma inteligível força simbólica na imagética de senso comum. A intervenção pictóricano objecto porta, desloca-o da sua posição utilitária e intensifica a sua naturezametafórica. É-lhe imposta uma identidade e um comprometimento conceptual.Individualiza-se o objecto e o conceito.A metamorfose inicia-se pela palavra e pelo ícone. Em todas as portas, éinscrito um texto sobre um fundo cromático e/ou pictórico, cujo valor de representaçãosimbólica de ambos, (texto e fundo), é convergente para um conceito especifico edistinto para cada.Com total discricionariedade, serão identificados treze conceitos, cuja matrizabstrata corresponda a um conhecimento universal, mas que por razões culturais,(sociais, politicas, religiosas, etc), estão hoje agonizantes por esquecimento edeturpação. E por isso perderam ou estão a perder a capacidade de mais-valia para acondição humana.Assim, serão sumariamente julgados e brutalmente fuzilados. Culpabilizadospela sua própria insuficiência, não lhes é permitida qualquer tipo de defesa, pois odelito é arbitrário e está determinado.A teatralização do acto executório e o seu registo vídeo é condição essencialpara tornar efetiva a extinção da sua identidade conceptual. Na hodiernidade só apartir do espetáculo se constrói realidade. A encenação é o único meio que garante otangível e a imagem registada garante a manipulação voyeurista do testemunho.A morte física e visível do objecto, implica a extinção da sua individualidadesimbólica, mas mantém a imagem dessa mesma representação. Corpo morto, vazio eabandonado; imagem imutável de identidade sem possibilidade de definição, apenas esó representação.A verdade é só e apenas o que parece.A metamorfose está concluída. O conceito está novamente puro, porque estámorto.O dogma renova-se, mais uma vez, e está pronto para ser exposto, revelado,apresentado para exemplo. Por isso, o seu lugar agora é no cadafalso, no corredor doabandono e do silêncio, um embaraço no caminho da testemunha.Reiteradamente o objecto, a porta que convida ao atravessamento e aodescobrimento, a brecha que humilha qualquer muro, toma o lugar da sua contradiçãoe é ela própria também uma folha que estorva a passagem, uma parede" (do catálogo).

 

 

 


 

 

Esteve patente até ao passado dia 13 de julho a exposição de pintura e escultura de Paulo Pinheiro e Pedro Pinheiro


Naturais de Aljustrel, os irmãos Pinheiro desde cedo têm-se dedicado ao mundo das artes.

Pedro Pinheiro, designer de profissão, ocupa as suas horas livres a pintar. Galardoado com vários prémios, as suas obras que já foram expostas em diversas exposições, em Portugal e no estrangeiro, "são obras do seu passado sempre presente, e outras mais recentes, que, no seu conjunto, surpreendem-nos pela sua grande coerência: uma identidade conseguida com a utilização de ferramentas e materiais diversos, que lhe transferem, através do gesto, uma essência plástica enérgica".

Por seu lado, Paulo Pinheiro, arquiteto de formação e professor de Artes Visuais, foi membro fundador do projeto “Fábrica” em Castro Verde, e é para a escultura que tem virado a sua criatividade.

Autor de obras expostas em vários pontos do país, também algumas delas premiadas, Paulo Pinheiro irá expressar nesta mostra, em Aljustrel, o seu “fascínio pelo voo particular dos morcegos, cuja dinâmica é distinta das outras aves. Suspeitando de que no “interior das penas algo de subtil acontece”, o artista orienta o seu olhar “particularmente para a asa laminada das aves, como se de um leque se tratasse, através das estruturas em papel”.

Pedro e Paulo Pinheiro, que foram umas das primeiras pessoas a frequentarem o NAVA_ Núcleo de Artes Visuais de Aljustrel, juntam-se, uma vez mais, na sua vila natal, numa mostra que irá reunir algumas das suas obras mais recentes.

 


 

Esteve patente até ao dia 15 de junho de 2013 a exposição de pintura de Lourdes Leite

Colaboração: MAC - Movimento Arte Contemporânea

 


 

Esteve patente até 11 de maio a exposição coletiva de pintura NAVACONVIDA

Manuel Passinhas - Artista Convidado

Exposição comemorativa do 24º Aniversário do Núcleo de Artes Visuais de Aljustrel

 


 

 

Esteve patente até ao dia 6 de abril a exposição de cerâmica "Reencontro" de Isabel Sousa Carvalho

Reencontro

No tempo em que vivemos, e que se quer presente, deparamo-nos frequentemente com os nossos regressos ao passado, e dessas viagens trazemos memórias connosco, relembramos pessoas, lugares, momentos que pensávamos esquecidos, mas que se redescobrem em emoções, em palavras, em cores, em formas, em texturas.

Encontramos a Isabel Sousa Carvalho em cada peça que cria, pela forma como a cria, pela emoção que lhe imprime; e com ela experienciamos toda uma luta criativa que absorvemos.

Este o primeiro ano em que a Isabel Sousa Carvalho se dedica por inteiro à cerâmica como forma de expressão do que lhe vai na alma. Nela sente-se como que uma necessidade imperativa que lhe molda a vontade e se transpõe para os trabalhos com que nos presenteia em sucessivas exposições. Há uma força criativa que ganha voz e não se contém, pelo contrário, ganha forma e sai-lhe espontaneamente da palma das mãos.

Voltamos a Aljustrel, à sua memória de menina, onde se reencontra com ela própria e com a vila que a viu crescer, numa exposição que marca também uma exploração de projectos antigos com ideias mais recentes, resultando no uso de novos materiais aliados à cerâmica, como tecido, papel e redes metálicas; num caminhar rabiscado de memórias azuis e água que se descobrem a cada olhar.

Quantas memórias contém cada peça Isabel? Só tu poderás responder. Nós, meros expectadores, absorvemos a tua emoção e a exuberância criativa de cada um dos teus trabalhos!

Marta Dutra


Esteve patente até ao dia 2 de março de 2013 a exposição de pintura e fotografia "ailleurs" de Helena Lousinha

  

 

 


 

Esteve patente até ao dia 2 de fevereiro de 2013 a exposição de pintura "o espelho de salomão" de Zandre

 


 

Esteve patente até ao dia 5 de janeiro de 2013 a exposição de pintura "por dentro e por fora" de Fernando D´F. Pereira

 

 

Estar perante a pintura de Fernando d’ F. Pereira é estar diante de um mundo muito próprio em que a obra se oferece ao fruidor num espectáculo de cor e forma, e em que estas se autodeterminam para aparência do acaso.

F. Pereira não se inscreve enquanto criativo no mundo massificado da arte global.

Antes, dela se distancia na medida em que não se detecta qualquer influência próxima, não pondo de lado contudo o manancial de saber que advém do conhecimento de toda a pintura anterior, desde um Pollock a um De Kooning, passando mesmo por um Du Buffet, tendo contudo sabido traduzir a síntese de todas as correntes estéticas do século XX num modo muito peculiar de operar no campo plástico a sua interioridade pelo prazer lúdico com que manipula os diversos materiais.

Esse modo de prazer, de um fazer acidental em que formas e figuras parecem surgir do acaso, tornando-se inteligíveis pela forma dinâmica como se relacionam no campo plástico.

É um jogo de pequenas e grandes áreas que se vão tornando conotáveis ao olhar e capacidade de captação e relação formal, criando uma rede de encenação como que divindades saindo de um plasma inicial. Isto provém da alta técnica de Fernando d’ F. Pereira no uso dos materiais e no tratamento das cores.

Confirmando o talento e a alta qualidade do autor desta mostra, eis o motivo pelo qual nos sentimos compensados com esta exposição de Fernando d’ F. Pereira agora patente nas Oficinas de Formação e Animação Cultural de Aljustrel.

 

Álvaro Lobato de Faria

Director Coordenador do MAC

Movimento Arte Contemporânea

2012